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5 de outubro de 2014
Palavras... palavras...palavras!!
A cada dia que passa fico mais e mais cansada das propagandas da televisão. O conteúdo delas a cada dia nos faz parecer cada vez mais idiotas, e assim me sinto ao pensar que elas continuam sendo veiculadas porque recebem respostas positivas.
Tem uma que nos apresenta uma família entediada e que resolvem cometer os piores absurdos para “animarem” seu dia, mas se eles assinassem determinada TV à cabo não sofreriam esses problemas. Tinha outra, também de TV a cabo em que o filho renegava o pai, e queria ser filho do vizinho porque ele tinha uma assinatura com muitos canais e vantagens. Uma propaganda de sandálias quer me fazer acreditar que se eu calçar a sua marca me tornarei tão maravilhosa quanto a modelo. Outra quer me convencer que basta eu comprar a sua marca de arroz me tornarei uma boa cozinheira, e por aí vai. Fico pensando com meus botões, o que essas propagandas realmente querem nos vender: uma assinatura de TV a cabo ou a confirmação de que somos meros objetos, coisas descartáveis que não podem conviver juntas de forma harmoniosa sem o seu produto.
Quem pode acreditar de verdade que ao calçar uma sandália se transformará em uma modelo? Quem acredita de verdade que esta ou aquela marca o fará mais feliz? Então o valor de um pai está na sua capacidade financeira em adquirir bens? Ou estaria na forma em que ama e educa seus filhos.
Vivemos em função das propagandas, dos produtos oferecidos no mercado, competimos uns com os outros para ver quem tem o produto mais caro e de marca mais famosa. Não tenho um super celular que acessa internet, com aplicativos de toda espécie que oferecem todo tipo de serviço. E já percebi que algumas pessoas me olham como se eu fosse um ser de outro planeta. Não falam comigo porque não tenho o tal de WhatsApp, não poderiam ligar? Passar em casa? Enviar um e-mail? Um cartão postal? Um sinal de fumaça que seja? Dia desses sai com amigos, e na mesa do bar eles estavam conversando através do celular, ou seja, sobrei no papo e ninguém me dava atenção.
Gosto do papo legal e descontraído, mas com as palavras sendo ditas e não escritas. Gosto de me reunir com minha família em volta de uma mesa para falarmos do passado do presente e do futuro, a TV pode ficar pra depois.
18 de setembro de 2014
Na onda dos desafios
Nessa onda de desafios que vem acontecendo nas redes sociais, recebi um bastante instigante. Na verdade não foi um desafio, mas encarei-o como tal, pois o tema é muito delicado para mim. Meu querido amigo e eterno mestre João Batista, pediu minha opinião sobre o fato de um homem negro também ter participado dos ataques racistas ao goleiro Aranha. Fui pesquisar, vi algumas imagens e comecei a pensar, o que levaria um negro a agredir o outro desta forma? Pelo desenrolar dos fatos, os agressores já estão se tornando vítimas, principalmente a torcedora que era das mais entusiasmada no momento. Ela não estava só, não deve ser a única responsabilizada, ouvi muito isso de todas as pessoas que comentaram o caso, mas ainda assim ela continuou recebendo o destaque da mídia e assim tornou-se vítima.
Voltando ao tema do desafio, que este rapaz negro, torcedor entusiasmado de seu time, também não viu nenhum problema em suas palavras, afinal ele não tinha intenção de ofender, ele estava ali para torcer por seu time, se divertir com amigos em uma bela tarde de domingo pois o dia seguinte “era dia de branco” e ele teria que voltar ao trabalho.
O racismo no Brasil sempre foi camuflado, frases como essa sempre foram levadas na brincadeira, mas tinham um único objetivo: colocar os negros em seu devido lugar. Lugar dos ex-escravos, dos serviçais, daqueles que sempre devem entrar pela porta dos fundos.
Não conheço este torcedor, mas ele com certeza não acredita no racismo, senão jamais teria se unido aos gritos contra o goleiro. Assim como ele muitos negros ainda não enfrentam o racismo, negam sua existência ou pior, alguns acham que não reagir é a melhor resposta. Não faço parte desse grupo e admiro e agradeço a atitude do goleiro Aranha, que não quis se encontrar com a garota participando de uma grande pantomima. O que espero, que a partir de agora, as pessoas aprendam a avaliar suas ações antes de provocarem o estrago, é muito fácil depois pedir desculpas e dizer que não teve intenção.
21 de agosto de 2014
O mundo é um moinho
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| Google Imagens |
Sempre ouvi essa frase e a achava poética, “o mundo é um moinho”. Cartola a imortalizou com uma de suas belas canções, a vida nos mostra que hora alguém está no topo e logo após perde posições.
O moinho gira, assim como nosso planeta e assim o tempo passa. E o tempo passado não volta, já sabemos disso também. Por isso ter cautela é necessário, se no momento estamos, “por cima da carne seca”, a seguir, sem que possamos perceber, “escorregamos na casca de banana” e tudo se perde.
Cautela, bom senso, humildade, generosidade e sabedoria devem sempre ser aliadas do sucesso. Assim jamais alguém se permitiria a abusar de sua posição para “mostrar ao mundo” que tem poder ou que se sente melhor que todos que estejam à sua volta. Vi tantas e tantas vezes isso acontecer que já não me surpreendo mais, principalmente quando vejo depois, as consequências da queda.
O contrário também acontece, às vezes alguém sofre humilhações e perseguições, por suas escolhas, por sua posição social, suas crenças, ou até mesmo por sua competência profissional “ameaçar” a estabilidade de outros que não se garantem apenas com a sua própria competência.
E então um dia, o seu moinho particular gira e tudo muda, e se esta pessoa tiver um bom caráter seguirá sua vida colhendo os louros do seu sucesso, se não, passará a praticar os mesmos atos condenáveis dos outros.
Não nos enganemos mais, quem hoje pode gabar-se de ser um rei, um dia, seja este cedo ou tarde, será cobrado de suas ações da mesma forma que aqueles que foram considerados plebeus. Roupas de grife, carros importados, mansões, jatinhos, férias em Ibiza, Paris ou Dubai, são alegorias. São coisas boas sem dúvida, mas são passageiras, o que fica, o que importa são as ações e é por ela que devemos ser lembrados, por nossas boas ações.
6 de agosto de 2014
Ao meu pai!
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| Foto: Arquivo Pessoal |
Quando eu era pequena os dias mais felizes eram os dias em que saia com meu pai, que diante do meu olhar infantil parecia-se com um gigante. Homem negro, forte, simples, com uma cara de bravo, mas um coração de manteiga. Não era dado a gentilezas, mas era capaz de desdobrar-se em mil esforços para cuidar da família e de todos os agregados que sempre surgiam.
As tardes com ele eram mágicas, e andar ao seu lado era uma verdadeira aventura, minhas pequenas pernas não conseguiam acompanhar seus passos largos. Minhas mãozinhas sumiam entre seus dedos enormes e fortes.
Mesmo sem ter lido qualquer teoria sobre como educar crianças, sabia ler em meus olhos o medo que eu sentia de não conseguir acompanhá-lo, e assim, diminuía seu passo e deixava que eu segurasse seus dedos, fazendo com que eu sentisse toda segurança que ele me oferecia.
O tempo passou, eu cresci. Estudei porque meu pai carregou muito saco de farinha na cabeça, e a vida se apresentou a mim com toda sua força, beleza e crueldade. Meus medos infantis transformaram-se em pesadelos medonhos, e por mais que meu pai quisesse que fosse diferente, ele nem sempre estava ao meu lado para acertar o passo e segurar minha mão. Os momentos felizes também vieram, mas nunca mais o sol brilhou como brilhava naquelas tardes da minha infância,
E o tempo passou mais um pouco, seus cabelos embranqueceram e sua força começou a diminuir até que sua saúde ficou por um fio, e um dia me vi caminhando com ele e dessa vez fui eu quem diminuiu os passos e segurei suas mãos, ainda grandes, mas dessa vez bem fraquinhas.
E o tempo, que nunca pára e jamais volta, continuou seguindo... seguindo e seguindo. Hoje conto quatorze anos sem a presença do meu pai, são quatorze anos sem seu abraço forte e amoroso.
Ficaram as lembranças felizes, os momentos marcantes, o sorriso espontâneo, o amor e a saudade que só fazem crescer a cada primeiro de agosto. Ainda assim comemoro o dia dos pais, desejo ao meu e a todos os pais um grande dia junto aos seus filhos!
31 de julho de 2014
Feliz 2014!
A Copa do Mundo acabou e a perdemos vergonhosamente. De mocinhos, nossos jogadores e toda equipe técnica tornaram-se bandidos, pois roubaram o sonho do hexa de uma nação inteira.
Li uma postagem em rede social que dizia: “agora o ano começa pra valer no Brasil”. Mas esperem um momentinho só. Informo a todos que meu ano já começou e faz tempo. Levanto-me diariamente para trabalhar, tenho pago minhas contas em dia (ufa!), vou ao médico, ao mercado, ao cinema, e principalmente não deixo de acompanhar os fatos diários do Brasil e do mundo. Assim como eu, todos os trabalhadores seguem sua rotina, portanto reafirmo, 2014 já começou e faz tempo.
Vem eleições por aí e há quem diga que o país irá parar mais uma vez. Outro engano, pois é nesse momento que mais devemos nos movimentar. Assistir aos debates, conhecer as propostas de governo de todos os candidatos e nos prepararmos para o voto consciente, seja para qual for o candidato de preferência de cada um.
Este ano está sendo muito movimentado e não parado. Costumam dizer para justificar a ideia de que as coisas estão da maneira que estão pois nós – o povo brasileiro – somos muito acomodados. Nossa cultura nos impôs isto, mas esta situação está mudando e espero que seja rápido.
Precisamos de um povo que pensa, que discute e que age. Precisamos de um povo que não se movimente à reboque deste ou daquele evento, chega de pão e circo! Somos trabalhadores, eleitores, consumidores, torcedores e acima de tudo somos brasileiros, somos os verdadeiros donos de nosso país e precisamos tomar posse dele já. Devemos superar os estigmas, devemos mostrar a todos que não somos massa de manobra para que sejamos moldados de acordo com as conveniências deste ou daquele grupo.
Dizem que não sabemos votar, sabemos sim: é só chegar na urna e apertar os botões de preferência e pronto, já votamos. O que vem após esse ato, após as comemorações dos vencedores e a briga dos perdedores é que devemos mudar. Se meu candidato vencer, devo acompanhar seu mandato para garantir que não fui enganada e que seu trabalho condiz com seu discurso. Do contrário, devo acompanhar também, pois alguém que não me representa estará gerindo meu país e seu futuro.
De qualquer forma, devemos sempre ficar atentos, pois apesar de dizerem por aí o contrário para confundir, nosso ano já começou e está se dirigindo a passos largos para o fim. Feliz 2014!!!
24 de maio de 2014
Quem salvará nossas crianças?
Esta é a Semana de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes – 18 a 24 de maio. Vários eventos serão realizados para lembrar que todos nós devemos combater essa prática monstruosa.
Esse crime choca a todos nós, mas infelizmente continua se repetindo diariamente em todos os cantos do mundo. Crianças de qualquer idade sofrem abusos dentro de seus lares, por parentes ou pessoas muito próximas.
Crescem, quando sobrevivem, tão traumatizadas que acabam tendo toda sua vida comprometida. Poucos são os casos em que isso não acontece. Tenho acompanhado trabalhos de combate a esta bestialidade, leio relatos que me impressionam muito.
Meninas – em grande maioria – e meninos relatam que suas mães preferiram acreditar no agressor para não perder seu companheiro. Em outros relatos, além das crianças não serem acreditadas, passaram a sofrer abusos de outros parentes após denunciarem os fatos. Em outros casos ainda, as crianças foram responsabilizadas pelo comportamento criminoso de seu agressor.
Nós temos o dever de proteger nossos pequenos, eles serão nossos herdeiros não apenas em bens materiais, herdarão nossa postura ética, nossa moral, nossas crenças e principalmente aprenderão a se comportar em sociedade conosco. Se crescerem em um ambiente hostil, cheio de abusos acharão normal repetir esse comportamento. Se forem ensinados a serem violentos e intolerantes serão violentos e intolerantes.
Do contrário aprenderão ser bons cidadãos, a respeitar o meio ambiente e principalmente ao seu semelhante. O que queremos para nossos filhos e netos? Em qual mundo eles merecem viver? Por que trabalhamos tanto hoje se no amanhã eles não terão mais o que aproveitar.
Estamos vivendo uma época de horror e de bestialidade imensuráveis. Famílias desestruturadas, pais matam filhos e filhos matam seus pais. Aluno agride professor, alunos agridem alunos. Balas perdidas, explosões de caixas eletrônicos, linchamentos e saqueamentos à luz do dia. Sinto que agora já é tarde para salvarmos o futuro, mas ainda assim não quero desistir... alguém aí me acompanha?
24 de abril de 2014
Fala que te escuto, mas também deleto!
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O direito ao livre pensar pertence a todos nós, podemos e devemos pensar da forma que quisermos. Defendo isso com todas as minhas forças, o que não significa que eu me sinta obrigada a dividir e a tolerar qualquer opinião de quem quer que seja.
O pensamento tem que ser livre, crítico, sensato e guiar nossas opiniões e ações. Isso contudo, não determina que o significado de livre, crítico e sensato seja o mesmo para todos. Cada um de nós tem sua própria formação, sua trajetória e por isso sua forma de ser, pensar e agir.
Vivemos em uma democracia – que ainda precisa muito para realmente fazer jus ao seu conceito – por isso mesmo devemos praticar o livre pensamento. Mas não devemos, impor nossos valores a ninguém, que cada um faça seu exercício democrático, que exponha suas ideias e preferências como achar melhor.
Por isso não podemos nos impor às pessoas, nossos conceitos e preferências não devem ser considerados como regra, da mesma forma não somos obrigados a compartilhar de pensamentos que contrariam quem somos, que nos agride e ofendem apenas por gentileza ou imparcialidade.
Isso faz parte da democracia, vejo tudo que está a minha volta, mas absorvo para mim apenas o que me interessa, que comunga com minhas ideias e meu comportamento, o restante deleto. Não sou de ficar de bate boca, acho isso uma perda de tempo, gosto de discutir pontos de vista e até mudo os meus se for o caso. Mas não acredito que deva aguentar posições ideológicas que contrariam e até mesmo agridem as minhas, e principalmente não me imponho a ninguém, não acho que sou a dona da verdade, que minha opinião é a única correta.
Dia desses um leitor, Sr. Antonio Vieira, após ler meu artigo intitulado “A primavera dos povos”, me enviou um e-mail questionando algumas de minhas ideias. Foi um diálogo enriquecedor, em que pude debater um pouco mais sobre minhas ideias e ele sobre as suas. Assim é a democracia, não precisamos concordar, mas saber respeitar o princípio de que nem todos são iguais. Por isso continuo a defender o fato de que se algo me desagrada muito, deleto e pronto!
29 de março de 2014
Quem matou Cláudia?
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| thinkolga.com |
Na última semana, mais uma vez ficamos chocados, escandalizados, revoltados e atônitos com a morte brutal da auxiliar de serviços gerais Claudia Silva Ferreira, que após ser atingida por uma bala perdida foi arrastada pelo carro da PM que lhe “prestava socorro”. Ela seria mais um número estatístico se a cena dantesca de seu corpo sendo arrastado no asfalto em plena luz do dia, não tivesse sido filmada.
Assim como ela, milhares de pessoas já perderam suas vidas no confronto da polícia com a bandidagem que parece não ter fim. Milhares de pessoas já perderam suas vidas pelo mal atendimento – ou nenhum – durante um socorro médico. Milhares de pessoas já perderam suas vidas por serem pobres, negros e assim já qualificados como bandidos, já desprezados pela falta de recursos financeiros para pagarem pelo bom atendimento médico.
Estamos longe de ser aquele “país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza”, como Benjor imortalizou em sua composição clássica, que até hoje é cantada aos quatro ventos. Estamos muito longe de ser um país cordial, pois os filhos desta Nação continuam sendo massacrados pela hipócrita falácia de que não há racismo no Brasil. Sim há racismo no Brasil, a morte de Cláudia vem nos mostrar isso, afinal, porque ela foi jogada como um saco de lixo no porta malas do carro da PM? Assim é que se presta socorro a alguém que foi mortalmente ferido? E agora, quem responderá por isso. A culpa não é apenas dos PMs que realizaram o ato, mas de todo um sistema que classifica as pessoas pela cor da sua pele e por sua classe social. Será que se o fato tivesse ocorrido em um bairro classe média os PMs teriam agido da mesma forma? As máscaras caem todos os dias, e todos os dias elas são renovadas, fingir que o problema não existe não o resolve, e falo de todos os problemas: racismo, corrupção, desemprego, educação e saúde de baixa qualidade, violência, drogas, nepotismo, homofobia, apatia política, mania de levar vantagem e tudo e muito mais. Fica mais uma vez a pergunta, quem matou Cláudia e tantas outras pessoas vítimas da violência e da falta de estrutura básica para que todos tenham direito a viver com dignidade?
16 de março de 2014
Patrulhas ideológicas
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| Google Imagens |
Vivemos em um mundo cada dia mais intolerante, violento, preconceituoso e opressor. Pessoas falam a agem como querem, sem medir as conseqüências de suas palavras e ações: magoou, ofendeu? Bobagem isso é coisa da sua cabeça.
Por outro lado a patrulha ideológica está cada vez mais arbitrária, se alguém fala algo que vai contra a uma corrente de pensamento, logo cai uma avalanche de críticas pesadas e violentas. Vivemos um momento muito delicado, onde dizer, não dizer, pensar em dizer ou não pensar em dizer é motivo para as mais pesadas críticas.
Nem sempre concordo com o que falam, com os discursos prontos e carregados – no meu entender – de pré-conceitos sociais e culturais, mas procuro ver o caminho do debate, do diálogo, pois aí sim poderemos crescer mais e enriquecer nosso conteúdo intelectual. Mas nem sempre é assim, as pessoas estão caindo no lugar comum, repetindo frases feitas e ataques brutais quando discordam de seu interlocutor.
Vivemos em uma democracia, temos o direito de nos expressar livremente é claro, mas também devemos pensar antes de falar, ponderar mais sobre o peso de nossas palavras, afinal elas com certeza podem e acabam sendo usadas contra nós. E aí vemos uma infinidade de debates nas redes sociais que acabam se tornando violentos e vazios, pois não resolvem nenhuma questão fundamental para nossa sociedade. Se a jornalista usou a bancada do telejornal para expressar sua opinião – por exemplo – e desagradou os defensores dos direitos humanos, a ministra desta pasta foi a público e chorou por esses direitos. Fico observando tudo isso e me pergunto: até quando as palavras dominaram a cena sufocando a ação? Em que essas discussões sobre você disse isso ou aquilo resolverão nossos problemas sociais? Não seria melhor agirmos mais do que nos escondermos atrás das patrulhas ideológicas?
1 de março de 2014
A primavera dos povos
| Eugène Delacroix: A Liberdade Guiando o Povo |
Estamos em ebulição, em vários países a população está nas ruas em claras manifestações de descontentamento com seus governos. E vemos esses mesmos governos reprimindo com uma violência absurda tais manifestações populares. Será que realmente estamos revivendo a “Primavera dos povos”?
Historicamente, esse foi o nome dado a uma série de revoluções que ocorreram na Europa à partir de 1848. Resumidamente, povos de vários países europeus saíram às ruas em protesto por causa de uma grande crise econômica e de grande falta de alimentos. Em 24 de fevereiro daquele ano, os franceses – a massa que mais sofreu com a crise, com o apoio de parte da burguesia – destituíram mais uma vez a monarquia.
Atualmente, temos recebido notícias de várias partes do mundo em que o povo vai às ruas, reivindicando o fim de ditaduras, das crises econômicas e de governos inaptos que não conseguem dar fim às crises.
Na Ucrânia, por exemplo, o presidente acaba de ser deposto e está sendo acusado de ser responsável por inúmeras mortes de civis durante os protestos que aconteceram desde o inicio do ano.
Outro exemplo é a Venezuela, que tem sido governada por um presidente ainda mais delirante que seu antecessor, e que promove a opressão violenta da oposição e dos cidadãos que ousam protestar.
Aqui, em nossa casa, temos visto desde o ano passado, muitas manifestações nas ruas. Finalmente o gigante acordou, disseram então! Tudo começou pelo protesto contra o aumento das passagens de ônibus, e o que se seguiu foi uma sequência de atos contraditórios.
Hoje, já não vejo mais essas manifestações como um ato democrático. Elas estão sendo, ao meu ver, manipuladas por grupos que pretende manter ou implantar seus interesses. Basta observar as propagandas políticas, todos citam as manifestações, defendem os direitos de protestos pacíficos nas ruas, mas continuam como sempre fazendo o mesmo, pois continuamos sem qualidade na educação, na saúde, na economia, na segurança, no transporte, no congresso...
Continuamos vendo os oportunistas se apropriando de nossa luta, a isso não chamo de Primavera e sim de Inferno dos Povos!
13 de fevereiro de 2014
Fratura exposta
| Créditos na Imagem |
A cada dia que passa, nossa sociedade enfrenta mais e mais momentos difíceis e aterradores. Não há um dia sequer que não ficamos sabendo de uma nova execução, seja de policiais, bandidos ou suspeitos de o serem.
Pessoas que morrem em meio a tiroteios, assaltos violentos, acidentes gravíssimos causados pela imprudência de alguém, filhos que agridem e matam seus pais, enfim, tudo anda muito, mas muito descontrolado mesmo.
Ainda há quem diga que somos um povo gentil e acolhedor, qual nada, somos uma turba enfurecida diante de tantos descaminhos. A corrupção escancarada que existe, o caos na saúde, na educação, na segurança e em todos os setores nos revolta e desanima muito.
Trabalhamos como loucos para pagar impostos e o resultado nunca é minimamente satisfatório. Falta água no calor, falta luz à noite e falta muita vergonha na cara de quem administra tudo isso. O povo também tem sua grande parcela de responsabilidade, afinal nós decidimos quem serão nossos representantes e nada mais. Só reclamamos quando o buraco é na nossa porta, quando é o nosso bairro que fica às escuras, quando o problema nos atinge diretamente.
Se hoje falta água no bairro B, os moradores dos bairros A e C continuam lavando suas calçadas e carros como se não houvesse nenhum problema. A violência está nas ruas, então cercamos mais e mais nossas casas como se isso fosse nos proteger verdadeiramente. A Copa do Mundo está aí e de repente as pessoas se lembraram que não há leito nos hospitais.
Acredito que sempre é o momento para protestar, mas que façamos direito, sem agravar ainda mais a situação. Acabo de saber que o câmera man que foi ferido durante um protesto teve morte cerebral, e agora? O que ficou resolvido para quem levou o artefato fatal para as ruas? Quantos mais precisarão morrer para que uma providência real e certeira seja tomada?
Nossa sociedade está decaindo cada vez mais, está exposta para quem quiser e tiver coragem de olhar, e para quem realmente quiser tomar uma providência contra todo esse horror que estamos vivendo.
30 de janeiro de 2014
O que vem após a tragédia?
Há um ano acontecia a tragédia da boate Kiss, um fato terrível que marcou a todos nós. Jovens tiveram sua vida interrompida de forma brutal por conta de uma série de atos de descaso do poder público, dos proprietários da boate e da banda que usou material impróprio para o ambiente. Famílias ainda choram, e sempre choraram a perda de seus filhos queridos. Os sobreviventes carregarão essas lembranças terríveis para sempre.
Agora, um ano depois, o que foi feito para que novas tragédias como essa não ocorram mais? O que o poder público brasileiro fez até agora? Diante do impacto da tragédia o poder público do Rio Grande do Sul passou a fiscalizar com mais rigor as casas noturnas e outros espaços destinado a receber o público. E os outros estados? E os donos desses estabelecimentos, estão investindo mais em segurança? E as bandas e pessoas que trabalham com o entretenimento em geral, estão investindo mais ou não na segurança de seus equipamentos?
Nós também, como frequentadores desses ambientes não podemos deixar de nos preocupar com nossa segurança. Não custa observarmos o ambiente, verificado as saídas de emergência, os extintores de incêndio e todas as formas possíveis de segurança. Fazendo isso, é possível pressionar os donos desses estabelecimentos a investirem mais na segurança e na qualidade dos serviços prestados.
Nós como consumidores, devemos ser mais exigentes e não nos deixarmos levar pelo modismo e ir aonde todo mundo vai. Nem sempre o local que está “bombando” é o mais seguro. Não é porque todo mundo vai que devo ir também, se fizermos isso vamos garantir a qualidade dos serviços oferecidos, pois isso será o diferencial entre os estabelecimentos.
É difícil eu sei, para quem é leigo observar tudo isso, mas não custa pesquisar, aprender mais sobre isso. Essa regra aliás não deve ser aplicada apenas para estabelecimentos noturnos, estamos no verão, com temperaturas elevadíssimas, e as notícias de mortes por afogamento estão aumentando dia a dia. A segurança é muito importante, e não devemos descuidar dela.
16 de janeiro de 2014
2014
| Fonte: Eu Me Chamo Antônio |
O novo ano chegou e promete ser um ano bem agitado. Em breve as festas de Momo chegarão, essa é a grande festa brasileira, que gera grandes lucros para a indústria do turismo. São dias de muita festa para a maioria, de descanso para outros. Logo em seguida viveremos os últimos dias para a realização da Copa do Mundo, com praticamente todas as obras necessárias em atraso, e a tensão e ansiedade estarão instaladas, será que vai dar tempo? Será que vai funcionar? Teremos todo oba oba que virá por parte daqueles que só pensarão na competição, que temos a obrigação de sermos campeões, dos grandes astros do futebol que virão e mais oba oba. Teremos a seguir um período de glória ou luto, dependendo do resultado da competição.
E finalmente chegarão as eleições, a propaganda eleitoral, a enxurrada de promessas que já sabemos que não serão cumpridas. Virão também os ataques pessoais, as revelações bombásticas sobre os candidatos, muita sujeira será jogada no ventilador.
O ano será bem agitado por aqui, muitos eventos e pouca estrutura física e intelectual, pois no caso da Copa do Mundo, tivemos 7 anos para os investimentos necessários na reforma dos estádios e na infra estrutura das cidades que sediarão os jogos, além da demora em começar as obras, há a questão dos desvios de verbas e dos projetos mal elaborados, que infelizmente sempre acontecem.
Tem ainda o tal gigante que dizem que acordou, mas parece que já voltou a dormir profundamente, pois os absurdos da administração pública continuam acontecendo corriqueiramente em todos os setores. Falta água, há apagões, não temos segurança, a inflação voltou, a corrupção nunca nos deixou, a educação é péssima, a saúde é um caos e tantas outras calamidade em todos os setores..
Em 2014, poderemos finalmente iniciar as mudanças que tanto reivindicamos ou continuarmos a desfrutar do pão e do circo que nos é ofertado diariamente, como compensação pela alienação que nos domina. Qual será nossa opção? Como a sociedade brasileira agirá? Como...
2 de janeiro de 2014
Promessas de um ano bom
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| Fonte: Heliel M. |
Outro final de ano e como sempre o antigo hábito de realizar promessas é retomado com muita inspiração. “este ano vou mudar... vou fazer regime...vou comprar aquele carro... no próximo ano vou realizar aquele antigo sonho de viajar mais... vou trabalhar menos e aproveitar mais a vida com família e amigos... vou procurar aquela pessoa para resolver uma antiga pendência... vou... vou... vou...”
Paramos também para refletir como foi nosso ano, nossas ações e reações aos fatos cotidianos, avaliamos o que aprendemos e o quanto crescemos com esses acontecimentos. Época em que a generosidade aflora, e de repente, as doações se multiplicam e as palavras de amor e fraternidade dominam o cenário.
Na televisão filmes e seriados sobre a vida de Jesus Cristo se repetem insistentemente, há alguns deles que já conhecemos até as falas dos atores, mas ainda assim continuam passando e passando todos os anos.
A rotina de final de ano continua a mesma. Continuamos agindo como se uma magia nos dominasse, como se a bondade que permaneceu “adormecida” ao longo do ano despertasse de repente e nos fizesse superar as más ações do ano. Quem não discutiu com um colega de trabalho, com um parente próximo ou um vizinho. Quem não xingou o árbitro que não deu a falta para seu time, quem não ignorou uma criança parada em um sinaleiro. Mas chega o fim de ano e corremos doar brinquedos de um e noventa e nove para orfanatos.
Vamos continuar doando sim, distribuindo palavras de bondade e gestos de carinho, mas façamos isso durante todo ano. Vamos refletir diariamente sobre nossas atitudes e lutar para melhorá-las a cada dia. As promessas de fim de ano não funcionam, porque elas só duram o tempo do fim do ano. O próximo ano será bom se nos empenharmos dia a dia pelo bem maior de todos nós.
Que o ano que está chegando seja muito melhor do que este que está acabando, que aproveitemos todas as oportunidades de crescimento e de realizarmos o bem para quem quer que seja, assim não precisaremos mais fazer promessas.
19 de dezembro de 2013
Obrigada Madiba!
O mundo ficou mais pobre, Nelson Mandela já não vive mais entre nós. Fiquei muito admirada com a reação do povo sul africano, não prantearam a morte de seu Tata, como o chamavam, e sim celebraram sua vida, isso foi lindo! E mais uma vez recebemos uma bela lição desse grande homem, costumamos chorar e lamentar muito a perda de um ente querido, mas a nação sul-africana nos deu uma aula de como homenagear alguém importante que partiu.
Choramos, lamentamos e muitas vezes até praguejamos contra Deus pela nossa perda. Há pessoas que entram em um luto tão profundo que passam meses fechadas em sua dor. Isso porque não suportamos a idéia de continuar vivendo sem a presença de quem amamos. Seu sorriso, sua parceria, sua proteção, e sua constante presença. Choramos por nós que ficamos aqui um pouco mais sozinhos, choramos porque continuaremos nessa luta diária sem uma parte importante de nós.
Os filhos de Mandela no entanto, cantaram e dançaram. Sorriram e comemoraram como se fosse uma festa. Isto porque o legado desse grande homem foi muito maior que ele. Ele conseguiu o fim da segregação racial em seu país, evitou que a segregação se invertesse e conseguiu o que parecei ser impossível: uniu os negros e os brancos em uma só nação. Com certeza ainda há problemas, mas ele mostrou que eles podem ser superados com a união e o trabalho de todos.
Mandela foi um grande exemplo para o mundo inteiro, principalmente para aqueles que se posicionaram contra o feriado do dia da consciência negra, divulgando que “não precisamos de um dia da consciência negra e sim 365 de consciência humana”. Ele demonstrou que a consciência humana é muito importante, que através dela o mundo se tornará cada vez melhor. Mas isso só foi possível porque ele tinha consciência de que ser negro não o fazia menor que os outros. Ele lutou contra a consciência dominante de superioridade entre os homens e ele venceu essa luta, agora cabe a todos nós seus admiradores seguirmos seus passos. Por ora digo: obrigada Madiba!
5 de dezembro de 2013
Miss Simpatia
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| Fonte: Google Imagens |
Está correndo pelas redes sociais o seguinte comentário: “me preparando para a falsidade do final do ano”. À primeira vista é uma piadinha brejeira, à seguir vem a sensação de ser umas daquelas famosas “indiretas”, quando alguém posta ou diz alguma coisa com o intuito de enviar um recado claro a alguém.
Fiquei penando sobre isso, será que a falsidade aparece apenas no final do ano? Quantas vezes estamos em algum lugar, nos encontramos com alguém e damos aquele sorriso, mas por dentre pensamos: “ah não!”. Quantas vezes, não queremos ir a um determinado lugar, com determinadas pessoas, mas nos sentimos obrigados pelas circunstâncias e ainda passamos todo tempo fingindo que o programa está legal.
Sem contar as ações mais sérias, como a do político que não cumpre suas promessas, que utiliza seu cargo para beneficiar a si próprio e seus comparsas, e aí no final do ano, aparece todo sorridente desejando feliz natal e que tudo de melhor aconteça no próximo ano.
Pura falsidade, há pessoas que agem assim sem o menor constrangimento. Que ao te ver finge que gostou, que finge ser seu companheiro no trabalho, que concordam com você, mas na sua ausência só sabe falar mal, criticar de forma pejorativa e armar situações para te prejudicar e se dar bem.
Ai o final do ano chega, os enfeites aparecem, as musicas natalinas começam a tocar, e todos ficam miraculosamente bonzinhos. Vão para instituições de caridade “praticar o bem”, tornam-se amigos e simpáticos com todos, fingem que nenhuma desavença aconteceu durante o ano e que esse período deve ser diferente de todos os outros, afinal é natal e todos devem tornar-se boas pessoas, apagando tudo que aconteceu no ano que passou e sem questionar o que vem pela frente.
Postura digna e caráter faz bem o ano todo, assim nessa época do ano não será necessário fingir e nem provocar nenhum tipo de constrangimento ao forçar uma simpatia que não existe.
20 de novembro de 2013
Justiça ou vingança pessoal
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| Fonte: Google Imagens |
Quando alguém nos prejudica, nos faz mal ou o faz a alguém muito próximo e amado, somos tomados por um sentimento de revolta, desejando fervorosamente que tal pessoa pague pelo que fez. Quem tem fé reza clamando por justiça, quem tem voz reclama da injustiça sofrida, porque sempre temos a forte tendência de nos vitimizarmos diante das dificuldades da vida.
Até que um dia, passe o tempo que passar, descobrimos que a tal pessoa causadora de nossos ais está passando por dificuldades, que enfrenta problemas terríveis e aí pensamos: “ A justiça está sendo feita! Bem feito, ele ou ela, merece!”.
Mas o que será isso? Que tipo de sentimento é esse? Chamamos de justiça, mas não seria uma vingancinha pessoal? O pensamento correto não seria: “um dia você me fez muito mal, agora é a sua vez de sofrer, bem feito!” Os sentimentos humanos são tão contraditórios, por mais que tentemos ser politicamente corretos, ter sentimentos nobres e superiores, por mais que tentamos ser pessoas esclarecidas e evoluídas, esse sentimento sempre nos acomete nessas circunstâncias.
Pensamos que nossos clamores por justiça finalmente foram atendidos. Que finalmente a tal pessoa está passando por um processo de aprendizagem para reconhecer seus erros e mudar suas atitudes e assim subir mais um degrau na escala da evolução espiritual. Mas lá no fundo, bem no fundo mesmo, naquele cantinho obscuro do nosso ser, em que nem nós mesmos gostamos de tocar, sentimos o imenso prazer do gosto da vingança, de sabermos que quem nos fez mal está nesse instante sofrendo tanto ou mais do que nós sofremos.
Essas questões têm me acompanhado há alguns dias: qual é o limite entre o sentimento de justiça e o prazeroso sentimento de vingança? Qual é a diferença entre um e outro? Como assumir essa diferença se a justiça me enobrece e a vingança me iguala ao meu desafeto? Não tenho as respostas, será que alguém conseguiria tê-las?
7 de novembro de 2013
Um ano após o outro
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| Google Imagens |
Por horas ficava olhando a paisagem, os pássaros cantando – tinha um beija-flor que todas as manhãs desfilava elegantemente entre as flores do jardim. Adorava observar as fadas, os gnomos e os elfos que brincavam entres as folhagens do mesmo jardim, pequenos seres que pareciam perdidos em uma enorme floresta. Mas era apenas aparência, pois eles estavam em casa brincando felizes e aguardando junto à sua amiga o momento sagrado de sua cerimônia de passagem.
Quando chovia, tudo tinha que ser diferente. Não podia ir para o jardim desfrutar da companhia dos amigos elementais, ver os pássaros e tão pouco o beija-flor aparecia, mas ainda assim, ela ficava ansiosa à espera do totem sagrado, que nunca falhava.
E assim essa rotina cerimonial acontecia todos os anos da mesma forma e isso a fazia feliz, segura de que tudo sempre estaria bem e em seu devido lugar. Mas um dia, ao acordar, não teve tempo para ir para o jardim, existiam outras obrigações a serem cumpridas.
E no ano seguinte e no outro também as obrigações só aumentavam, até que chegou o dia em que ela sequer se lembrou de seu jardim encantado, e o totem sagrado tornou-se apenas uma lembrança dos dias felizes que nunca mais voltariam.
Na última data sagrada ela nem queria acordar, mas as obrigações eram tantas que não teve como escapar. Levantou-se e mecanicamente cumpriu uma a uma, como se fosse um dia qualquer, sem nada de especial. A magia e o significado especial do ritual já não existiam mais, o totem sagrado tornou-se uma lembrança distante em que um ano após o outro foi perdendo o seu poder mágico de fazer seu coração sorrir. Nada mais é sentido como antes, agora e para sempre será assim, um dia comum sem nenhum elemento mágico.
17 de outubro de 2013
Fala aí mestre João!
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| Fonte: KLAXONSBC |
Desde a primeira, minha irmã Silvia, que por ser dois anos mais velha que eu, ingressou na escola antes, deixando-me sozinha em casa. Quando ela chegava da aula e queria fazer sua lição, por nada eu deixava, queria brincar e pronto. Eram momentos terríveis para nossos pais, avó e bisavó que tentavam resolver me convencendo que ela deveria fazer a tarefa antes de brincar, mas que nada, eu queria mesmo era brincar e tome chororô e muita manha. Até que meu pai - que só pode ter sido inspirado pelos irmãos de luz – comprou uma lousa, giz e apagador e montou uma escolinha na nossa cozinha, antes de fazer sua tarefa, minha irmã do alto de seus sete anos virava minha professora, me ensinava o beabá, me passava tarefa e aí nós duas fazíamos nossa tarefa juntas.
Me lembrei então, da tia Marília, minha primeira professora oficial. Haja paciência, e ela teve muita, com a criança que já sabia ler, escrever e fazer continhas e por isso se recusava a fazer pauzinhos, cobrinhas e outros exercícios aplicados para desenvolver a coordenação motora dos doces e pequenos alunos.
Estudar sempre foi um prazer para mim, mas apenas as matérias que me interessavam, e por sorte sempre tive grandes mestres que me ensinaram muito mais que a matéria formal escolar.
Não vou citar outros nomes para não ser injusta com nenhum, apenas lembrarei aqui do mestre inspirador deste artigo, João Batista Ernesto de Moraes, nosso querido professor João, do curso de Biblioteconomia. Por não ser bibliotecário, ele não nos cobrava o aprendizado técnico e tão importante para nossa formação e atuação profissional.
João é um homem das letras, dos livros e dos grandes autores. Suas aulas eram leves – mesmo quando insistia em dizer que a morfologia era legal – sempre com uma piada sutil, às vezes sarcásticas, mas sempre inteligente para nos contar. Conheci com ele muitos autores incríveis que não estão na lista dos dez mais, como Stanislaw Ponte Preta por exemplo.
Ao mestre João, e a todos os mestres do mundo agradeço humildemente por sua dedicação e paciência tão necessárias a quem dedica sua vida a ensinar e ampliar nossos horizontes para que possamos desejar e lutar por um mundo melhor.
Fala aí mestre João, ficou bom?
10 de outubro de 2013
Foi mal professor
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| Fonte: Google Imagens |
Todos conhecemos bem as condições precárias da educação pública no Brasil, não preciso me repetir sobre isso. Preciso me repetir sobre a participação da sociedade em tudo isso. Estamos cada vez mais indignados com a situação, e cada vez fazendo menos por mudanças significativas.
O Gigante que acordou e se levantou de seu berço esplendido já saiu de moda? Onde estão os jovens – geração que quer um futuro melhor -, e a geração de 64 – que tanto se orgulha de seu passado de lutas? Eram apenas poses para as fotografias a serem postadas com frases de efeito nas redes sociais?
O fim da corrupção, depende de uma educação de qualidade. O fim da violência depende de uma educação de qualidade. O desemprego, a saúde, o saneamento básico, as obras públicas, nossa arte, nosso desenvolvimento científico, nossa posição como nação soberana perante o restante do mundo, também dependem da educação de qualidade.
Não teremos bons médicos, enfermeiros e técnicos da área de saúde se esses não tiverem uma educação de base de qualidade. Nossas obras públicas, continuarão sendo realizadas por pessoas, que em sua maioria, não fazem jus ao título de doutor. Quantas obras absurdamente caras e mal planejadas vimos abandonadas por aí?
Tudo é pago com nosso dinheiro, o tão suado dinheiro que somos obrigados a “ofertar” em forma de impostos. Até mesmo a corrupção é bancada pelo nosso dinheiro e nossa omissão.
Esse ano, sugiro às pessoas que não parabenize os professores pelo dia, sugiro uma reflexão. Mesmo para aqueles mais afortunados – digo isso no sentindo de sorte – que podem pagar pela qualidade da educação de seus filhos. Vamos refletir, até quando seremos obrigados a ouvir: “foi mal professor!”.
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